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Geral

Dossiê Revela Cruel Realidade: Mortes Violentas de LGBTI+ no Brasil em 2023

Número representa uma morte a cada 38 horas

Por Redacao 15/05/2024 às 16:14:05

Foto: Agência Brasil

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Um recente dossiê publicado pelo Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil trouxe à luz uma realidade alarmante: em 2023, 230 pessoas LGBTI perderam suas vidas de forma violenta no país. Isso equivale a uma morte a cada 38 horas, evidenciando uma tragédia que persiste em meio à sociedade brasileira.


Dentro desse trágico panorama, 184 dessas mortes foram classificadas como assassinatos, 18 como suicídios e 28 decorrentes de outras causas, segundo o levantamento detalhado sobre a violência e a violação de direitos LGBTI+. A sigla abrange um espectro diversificado de identidades, incluindo pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, mulheres e homens trans, pessoas transmasculinas, não binárias e outras dissidências sexuais e de gênero.


Uma análise mais profunda revela que a maioria das vítimas, 142 no total, eram pessoas transsexuais, especialmente mulheres trans e travestis. Além disso, 59 vítimas eram gays. O perfil demográfico das vítimas também é revelador: 80 eram pretas ou pardas, 70 brancas e uma, indígena.


A faixa etária mais afetada foi entre 20 e 39 anos, com 120 vítimas nessa faixa. O método mais comum de assassinato foi por arma de fogo, representando 70 casos, e a maioria ocorreu durante a noite, somando 69 registros. Entre os suicídios, 11 foram de pessoas trans.


Os dados geográficos são igualmente alarmantes. São Paulo lidera o triste ranking com 27 mortes, seguido de perto por Ceará e Rio de Janeiro, ambos com 24 mortes cada. Quando ajustado para a população, Mato Grosso do Sul apresenta o maior índice de violência LGBTIfóbica, com 3,26 mortes por milhão, seguido por Ceará, Alagoas, Rondônia e Amazonas.


O Observatório, ao longo dos anos, desenvolveu uma metodologia própria para coletar informações, incluindo dados de veículos de comunicação e redes sociais, reconhecendo a subnotificação dos casos às autoridades e a ausência de dados oficiais específicos. Muitas cidades, especialmente no interior, carecem de veículos de comunicação que relatem tais ocorrências, ampliando ainda mais o problema.


A pesquisa de 2023 identificou uma ampla gama de violências contra pessoas LGBT, desde esfaqueamentos até negativas de serviços e tentativas de homicídio, ocorrendo em diferentes ambientes, como doméstico, vias públicas e locais de trabalho.


Embora o Brasil não tenha leis contra a homossexualidade e tenha avançado na Justiça com a criminalização da homofobia pelo Supremo Tribunal Federal em 2019, o país continua liderando o triste ranking de mortes violentas de LGBTI+ no mundo.


A versão completa do Dossiê de LGBTIfobia Letal está disponível no portal do Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil, um documento que não apenas revela a triste realidade, mas também clama por uma ação urgente para proteger e promover os direitos humanos de todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

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